ID 360 - 28 e 29 de setembro!

OFF TOPIC: O embate político na internet mineira

7 comentários
Se bem que não é tão off-topic assim. Resumindo pra quem não acompanhou, na semana passada algumas redes sociais simpáticas ao PSDB e ao PMDB/PT travaram uma guerrinha de egos em blogs e twitters. Tudo começou quando Gabriel Azevedo, presidente da Juventude do PSDB em Minas e um dos coordenadores da tal "Turma do Chapéu", divulgou um video no YouTube (ou link para o tal video. Há controvérsias) com uma charge animada em que parodia o candidato do PMDB.



Pausa pra analisar o caso do video
O departamento jurídico do candidato caricaturado se apressou em pedir ao TRE-MG que solicitasse a Gabriel a retirada imediata do video. Parece que o video foi retirado, mas voltou. E a coordenação de campanha do candidato do PMDB chegou a pedir a prisão de Gabriel Azevedo (confira a ação aqui). Se quiser saber mais, leia no Blog do Noblat.

Particularmente, achei o video sem graça. A paródia ficou pobre. Efeito muito maior teve a paródia feita por Tom Cavalcanti em apoio a Márcio Lacerda contra Leonardo Quintão nas eleições de 2008 para a PBH. Na época, Quintão, também do PMDB, não tomou nenhuma atitude quanto ao video. No Marketing Político, é o que chamamos de contra-propaganda: o objetivo é denegrir o adversário. O recurso é comumente usado nos casos em que o adversário ridicularizado está acima nas pesquisas (caso de Hélio Costa atualmente) ou representa real ameaça de se eleger (caso de Quintão no 2º turno de 2008). Newton Cardoso usou desse recurso para ridicularizar Aécio Neves nas eleições estaduais de 2002, seu sucesso.



Por fim, o site do candidato do PMDB ao Governo de Minas publicou nota informando o cancelamento do pedido de prisão de Gabriel Azevedo (nota aqui) e a réplica de Gabriel aqui.

Volta para o meu raciocínio anterior
A partir desse fato, os ânimos se exaltaram tanto na Turma do Chapéu (leia-se Juventude PSDB-MG) quanto na Juventude Por Minas (a.k.a Juventude do PMDB-MG).

A troca de farpas foi maior nos twitters de Gabriel Azevedo e João Paulo, do lado da J-PSDB, e de Breno Carone (J-PMDB) e Tatá Lobo (PT).

Depois de farpas mútuas, a J-PMDB marcou um "duelo na web", com o qual a J-PSDB não concordou, mas que depois virou um "Debate na Web". Nada mais seria que um encontro entre os dois "times", como comparou a Turma do Chapéu neste post, provavelmente em um local neutro e transmitido pela web, através dos dois sites das juventudes. No tal "debate", não participariam os candidatos, que realmente poderão vir a governar o estado, mas somente os diretores/presidentes das juventudes, com participação das militâncias jovens na plateia.

Pra quê? (ou meu lado "Felipe Neto")
Triste ver jovens entrando na política já pelas portas dos fundos, tratando um assunto tão sério como se fosse uma gincana estudantil ou um campeonato de futebol, como preferiu comparar a J-PSDB. A política deveria ser tratada como algo nobre, não no sentido financeiro ou de poder, mas no sentido de servir à coletividade, representar a maioria sem esquecer das minorias, entender que o agente público, em uma democracia representativa como a nossa, não imacula sua ética, não vincula o poder à política, mas sim a responsabilidade. Responsabilidade por liderar equipes (no caso do estado, mais de 200 mil servidores), responsabilidade por zelar pelo bem público, por entender que uma simples canetada pode mudar para melhor ou para pior a vida de milhões de pessoas.

Esses militantes estão aprendendo desde cedo como NÃO fazer política. O que eles fazem na verdade é só disputa eleitoral. Atuam como verdadeiros fantoches de seus superiores. Se vinculam aos partidos não por ideologia, mas apenas para "torcer", como fazem para Atlético e Cruzeiro. Acham mais fácil entrar na política via juventude partidária do que sendo líder comunitário, por exemplo. Se portam como se tivéssemos que escolher apenas entre A ou B, ignorando candidatos de outros partidos (são oito em Minas). A pretensão acima disso tudo seria o almejado cargo público? Mas como não há cargos para todos, muitos não serão chamados em um futuro governo. E aí?

E quem quer ver um debate de jovens, e não dos verdadeiros candidatos? A plateia seria a própria militância, se portanto como cheerleaders e os debatedores como verdadeiros puxa-sacos de seus "chefes"? Tenho certas dúvidas sobre a validade de um "debate" em que na verdade cada lado vai falar, falar, falar e ninguém vai convencer ninguém de que está certo e vão usar números de governos anteriores ou de terceiros em benefício próprio. Por que essas juventudes, ao invés de tentarem convencer eleitores a votarem em seus respectivos candidatos, não convencem seus candidatos a entenderem melhor as necessidades da população? Por que ao invés de me dizer "vote em fulano" eles não dizem para os candidatos "faça mais, seja melhor para seus eleitores"? (talvez ensiná-los a responder as mensagens enviadas pelo site) Pior: falam em nome dos candidatos correndo o risco, até mesmo por inexperiência política, de dizer algo que depois poderá ser desautorizado por seus "representados".



Que seja chamado de "duelo na web" ou de "debate na web", pouco importa. Esse evento é - pra mim - nada mais que uma disputa de egos. Uma partida não entre Cruzeiro e Atlético, mas entre o Jaú de Igarapé contra o 100% de Ribeirão das Neves. Jogadores júniores de várzea achando que serão convocados pelo seu Mano Menezes. Façam seu debate e saibam: isso vai mudar em nada o quadro eleitoral em Minas Gerais.





UPDATE: No dia seguinte a este post, recebi uma resposta do Gabriel Azevedo com alguns esclarecimentos, que você deve ler aqui.

7 comentários :

Anônimo disse...

doidimais, esse monte de prayboy tentando conquistar lugar na púlitika. Prayboyzada expeeeeeeerta...

Rute Faria disse...

Concordo com cada palavra escrita. Concordo ainda mais com o Felipe Neto.

Jorge Periquito disse...

Gosto e concordo com o que escreveu, com algumas ressalvas. Os fins desses debates podem ser realmente o que apontou e talvez não vá mudar o resultado das eleições, assim como o que está em campo pode ser o ego.

Porém, vejo que esse tipo de debate instiga a participação dos jovens na política, já que é um assunto que recebe quase nenhum tipo de atenção e é muito mais desprezado.

Se esse tipo de debate trouxer mais pessoas a quererem acompanhar e discutir política e fazer com que votem com mais consciência, assim como viverem a democracia como deveria ser, valeu a pena, certamente.

Priscila Vedoveto disse...

Como votar com mais consciência se não temos opções descentes?
Desculpe Jorge, você pode fazer diferente, mas nem candidatos, promessas, debates ou milagres na política ajudam hoje em dia.

Anônimo disse...

O cara pode ser até bom. Esse periquito aí eu até simpatizo. Mas o foda é que o SISTEMA engole o cara, não tem jeito, entra lá, necessariamente vai virar ladrão.

Anônimo disse...

QUE VERGONHA, JORGE PERIQUITO!!! USANDO FAKES PARA PUXAR O SEU SACO!!! QUE VERGONHA!!!

AllíVoyYo disse...

Eu sou de verdade! hahaha