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Tentando entender o que aconteceu com o SEED

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Entre informações corretas, erradas e alteradas, entre egos inflamados, indignação, perplexidade e discursos políticos, a comunidade empreendedora mineira, sobretudo ligada às startups e ao SanPedroValley, foi surpreendida essa semana com o fechamento do escritório onde funcionava o SEED.

FOTO: Christophe Trevisani Chavey
Não vou me alongar. Saiba mais nos links:

SEED fecha por período indeterminado (Diário do Comércio) 
Escritório do Seed é fechado e pega empreendedores de surpresa (O Tempo)
Seed fecha as portas em Minas Gerais e startups são ‘despejadas’ (Estadão)
"Fim do Seed seria um retrocesso para o mercado de startups" (PEGN)
‘Nossa intenção é que o Seed continue funcionando’ diz secretário de MG (Estadão)
How the greatest startup program in Brazil is being killed by politics (Medium.com)

Pelo lado do governo:
Como fiz parte do início do projeto (era jornalista no Escritório de Prioridades Estratégicas quando o SEED - sem trocadilhos - foi germinado), me lembro que a lei aprovada na época especificava que seriam duas turmas, de até 40 startups cada, sendo um prazo de seis meses para cada turma. Ou seja: era um projeto com data para acabar. Para continuar, deve ser criada e aprovada na ALMG uma nova lei.

Nota oficial do Governo de Minas sobre o SEED.

Não estou aqui querendo defender o governo. Ele podia ter se antecipado, criado uma comissão, uma equipe de transição, para tratar dessa questão antes do fim do programa, sob o risco de perdas intelectuais, financeiras e de imagem para o governo. Enfim, podia ter conversado antes com os envolvidos. Mas entendo também que talvez um anúncio antecipado do fim (ou da pausa) do programa também poderia acarretar imagem negativa. Aí é aquela máxima da política ao dar uma notícia ruim: preferível um golpe forte e rápido do que ir sangrando aos poucos, por um tempo maior.

Pelo lado da comunidade:
Como são empreendedores, o pessoal não perdeu tempo. A equipe do Hotmart fez um vídeo oferecendo espaço de co-working. A Sucesu-MG, por meio do programa MGTI, também. Além das discussões nos grupos SUP BRA e Startup BH, criaram a comunidade #OccupySEED. Um grupo será recebido hoje a tarde pelo secretário da SEDE-MG, atualmente a pasta responsável pelo programa.

Estive no SEED em fevereiro deste ano.
O clima já era de apreensão.
Minhas sugestões:
Realmente o custo de R$ 30 mil mensais de aluguel é bem alto. Também acho que o Governo tem espaços públicos que possam abrigar o SEED, só discordo da sugestão do secretário de ser na Cidade Administrativa, por causa da distância. Há prédios públicos centrais, como o complexo cultural da Praça da Liberdade, a Biblioteca Pública, o prédio do BDMG, a sede da Polícia Militar, da Polícia Civil, o Servas, entre outros espaços. Remontar tudo é o de menos.

Sugiro que a comunidade acompanhe de perto projetos de interesse, como o MG-PL-5706-2015, que transformou o Escritório de Prioridades Estratégicas em Escritório de Projetos (e consequentemente levou o SEED para a SEDE). Sentem com os secretários da SEDE e da SECTES para tentar formatar um novo programa. Antecipem-se. Me parece que as secretarias estão dispostas ao diálogo.

Espero que o Governo mantenha não só o programa - seja com outro nome ou com outro escopo - o mais rápido possível, mas também que mantenha pelo menos parte da equipe envolvida, nem que seja recontratando alguns dos exonerados, uma vez que eles rapidamente se realocarão no mercado (se já não tiverem se realocado). Garanta o capital intelectual do programa, uma das características que mais fez diferença!

No mais, sorte a todos. Se cada um fizer a sua parte, tanto empreendedores quanto Governo, teremos o SEED de volta. Se a raiz se manter, mesmo cortando os galhos, a semente continuará germinando (ainda melhor)!

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